domingo, 3 de outubro de 2010

Ciclovias da cidade que nao funciona!


Ciclistas desrespeitam sinalização e abusam da velocidade em ciclovias de SP
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Quem disse que trafegar na contramão, circular fora do horário permitido, fazer ultrapassagem proibida e ignorar placa de trânsito são exclusividade de condutor de automóvel? Adeptos da bicicleta andam cometendo infrações na ciclofaixa que interliga os parques Ibirapuera, das Bicicletas e do Povo, na zona sul de São Paulo.
A Folha percorreu ontem os 10 km (ida e volta) do pedaço criado para que ciclistas circulem aos domingos das 7h às 14h. Nas faixas de pedestre, de cor branca, ciclistas devem descer da bicicleta e atravessar empurrando o veículo, informa a placa. Pouca gente obedece.
As de cor vermelha deveriam ser exclusivas das bikes. Não são. O sentido obrigatório tampouco é seguido pelos ciclistas, apesar do apelo insistente de orientadores, espalhados pelos pontos-chave do trajeto.
Outro flagrante constante é o desrespeito de ciclistas com os próprios ciclistas. Apressadinhos são incapazes de obedecer o limite de 20 km/h. Na ausência de buzina, gritam para que os outros deem passagem.
Quando isso não acontece, invadem a área dos carros para ultrapassar. Com a manobra, jogam os cones de demarcação na pista vizinha, a dos automóveis, afetando o trânsito.
A Secretaria Municipal de Esportes diz que a ciclofaixa é para lazer, e não para competição. Daí a orientação para que usuários não abusem da velocidade, a fim de evitar acidentes.
Para Leandro Valverdes, 32, diretor da Ciclocidade (Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo), "o perigo é o paulistano repetir o comportamento do trânsito na ciclofaixa".
Para complicar, pedestres, patinadores e skatistas querem dividir espaço com ciclistas. Só que a faixa é exclusiva das bicicletas. Desde o lançamento, em 30 de agosto de 2009, o número de frequentadores aumenta. Começou com 9.200 ciclistas. Atualmente, cerca de 12 mil paulistanos pedalam por lá.
Fred Chalub/Folha Imagem
Ciclistaz faz ultrapassagem por fora da área destinada à ciclofaixa que margeia o parque do Ibirapuera
Outras barbeiragens
"Estamos abaixo de 50% em termos de educação tanto por parte dos ciclistas como dos motoristas", reconhece Marcos Mazzaron, 46, diretor da FPC (Federação Paulista de Ciclista). "Falta educação", diz. Um dos responsáveis pela implantação da ciclofaixa, Mazzaron conta que ao menos 700 cones foram furtados do percurso.
Somente a iniciativa privada investe R$ 24 mil para ativar e desativar a ciclofaixa todos os domingos. Ao todo, 80 monitores atuam na sinalização e na pedalada entre os ciclistas.
Maria Lucia de Andrade, 45, desde janeiro comanda o fluxo de ciclistas na entrada do parque das Bicicletas. Não para um minuto. "À direita, por favor! Pai explica para o seu filho que o sinal está vermelho e que ele deve aguardar. Obrigada."
Ela não se mostra desanimada em ter que repetir as orientações inúmeras vezes. O que a deixa irritada é a postura dos motoristas. "Logo de manhã, tem condutor reclamando da faixa. É uma falta de respeito."
Ontem, 30 minutos depois de a ciclofaixa ser aberta, um carro invadiu a área exclusiva das bicicletas e arrastou cones. Ninguém saiu ferido. Mesma sorte não teve o gráfico Hamilton Conceição, 46, atropelado por um carro, que também avançou sobre o espaço reservado à turma do pedal, no último dia 28. O ciclista fraturou a clavícula.
A ampliação da largura da faixa é alternativa que poderia melhorar a convivência entre quem pedala e quem dirige, diz Valverdes, da Ciclocidade.
André Pasqualini, 35, diretor do Instituto CicloBR, diz que o erro crucial da prefeitura foi ter colocado as faixas de ciclistas do lado esquerdo. "Os pais não podem deixar as crianças pedalarem do lado direto porque elas estarão expostas ao tráfego de carros e a acidentes", conta. "Motoristas invadem a faixa dos ciclistas, principalmente em momentos de conversão."
A CET considera a ciclofaixa segura e não prevê mudanças nas faixas. Ninguém duvida que ela trouxe benefícios para a cidade, principalmente no convívio mais democrático entre carro e bike, além de reforçar o uso da bicicleta como meio de transporte. Mas também é inegável que algumas medidas precisam ser implementadas para garantir a segurança de todos.
Ciclista de domingo, a empresária Gisleynne Faria, 33, acha que a população precisa ser orientada corretamente sobre a ciclofaixa. "Fazem tanta propaganda política. Poderiam usar parte da verba para uma campanha educativa. Isso, sim, seria cidadania." Fica a dica.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

O maior espetaculo do ciclismo Tour de France

O maior espetáculo do ciclismo

Nem nas mais otimistas das hipóteses Geo Lefevre e Henri Desgrange imaginavam que a corrida de bicicleta que eles estavam planejando se tornaria o maior evento do ciclismo mundial de todos os tempos e nem que eternizariam seus nomes na história do esporte. A idéia de criar uma corrida de bicicleta que percorresse a França, em 1902, surgiu da necessidade de aumentar as vendas do jornal francês “L’Auto” (que depois se transformaria no atual “L’Équipe”). O Tour teve sua primeira edição em 1º de julho de 1903 e nunca parou de crescer; e a glória de vencer a disputa mais importante do ciclismo pertence a apenas 54 heróis, alguns deles mitos.

Cada um por si

O primeiro campeão do Tour de France foi o francês Maurice Garin, que pedalou 2.428 km, distribuídos em seis etapas, em mais de 94 horas. Nos dezenove dias de disputa, Garin e outros 59 participantes pedalavam cerca de 18 horas por dia e tinham até três dias para se recuperar. Eram responsáveis pelo próprio equipamento, ou seja, em caso de quebra, eles deveriam consertar as bikes. Naquele e nos anos seguintes, a organização não tinha total controle sobre os participantes. Eram comuns casos de caronas em trens, automóveis e também de atalhos na rota.Aos poucos, a volta foi ganhando as características atuais. O Ballon d’Alsace foi a primeira subida a fazer parte do roteiro do Tour, em 1905. As verdadeiras montanhas só chegaram em 1910, com os Pireneus. No ano seguinte os ciclistas fizeram a travessia dos Alpes. Poucos anos depois, a Primeira Guerra Mundial causou a primeira interrupção na prova.

Símbolo do poder

A primeira corrida depois do conflito, em 1919, trouxe uma novidade que mudaria, literalmente, a forma de enxergar os melhores ciclistas do Tour. A camisa amarela foi uma reivindicação dos jornalistas que gostariam de identificar melhor o líder e uma forma que os organizadores encontraram para prestigiar a corrida. O primeiro líder chegou a recusar a camisa, achando que seria facilmente identificado pelos rivais. Mas ela logo se tornou o maior desejo de todos.

Mudanças e conturbações

Na década de 20 Ottavio Bottecchia havia se tornado o primeiro italiano a vencer o Tour, em 1924, e repetira o feito no ano seguinte. Mas Bottecchia não era admirado por todos: foi assassinado em 1927, enquanto treinava. Foi vítima de um fascista, contrariado por críticas do ciclista ao movimento fundado por Mussolini.Na década de 30, três grandes mudanças alteraram o regulamento do Tour. As equipes de fabricantes de bicicleta foram substituídas por times nacionais de oito ciclistas. Também havia equipes regionais, da Normandia e da Provença. Qualquer ciclista poderia usar a mesma bicicleta que o adversário. E a caravana publicitária foi criada para recompor a perda das verbas gerada pela saída das fabricantes. Nesse período foi criada a bonificação por tempo aos melhores de cada etapa. Henri Desgrange, diretor da prova, mostrou que o Tour tinha aprendido a se adaptar para sobreviver. Mas no final dos anos 30, uma nova Guerra Mundial interrompeu a corrida novamente: foram sete anos de ausência. O retorno deu inicio a uma nova era.

A rivalidade italiana

O reinício do Tour após a Segunda Guerra trouxe para a corrida francesa uma rivalidade entre dois italianos que também inflamava o Giro d’Italia. Gino Bartali já havia vencido o Tour em 1938. Fausto Coppi tinha vencido o último Giro antes do conflito mundial. O primeiro era católico devoto e acreditava nos tradicionais métodos de treinamento e no trabalho duro. O outro tinha sido prisioneiro de guerra anos antes, era ateu, abandonara a mulher em favor da amante e tinha vontade de inovar profissionalmente. Ambos perderam muito com o período de guerra, mas a rivalidade que cultivaram era algo inédito no ciclismo. Mais velho, Bartali já era sucesso quando surgiu o rival. O intervalo de tempo entre suas duas vitórias no Tour ainda é recorde. São dez anos entre a primeira, em 38 e a última, em 48. Coppi estreou no Tour em 49 com vitória. A segunda conquista veio em 52, ano de sua última participação. Isso bastou para colocá-lo no hall dos mitos da grande volta.O francês Louison Bobet foi o primeiro tricampeão consecutivo da história do Tour, vencendo em 1953, 54 e 55. Depois de dois anos definindo o primeiro lugar na escalada de um dos montes mais importantes dos Alpes, o Izoard, todas as atenções no terceiro ano estavam em marcar Bobet nesta etapa. Apesar do sucesso dos adversários, Bobet deixou todos para trás em outra escalada, no Mont Ventoux, para garantir o tri.

O amor pelo mais fraco

No fim dos anos 50, os franceses começaram a assistir uma história de rivalidade na qual o herói não era o vencedor. Jacques Anquetil e Raymond Poulidor eram dois franceses com características bem diferentes. Enquanto o primeiro conquistou cinco vezes o título, o outro foi três vezes segundo e cinco vezes terceiro. Nunca teve o gostinho de chegar a Paris com a camisa amarela. Foram 14 tentativas sem sucesso. Por sua perseverança, Poulidor conquistou o carinho do torcedor, que admirava aquele simpático rapaz do campo, sempre derrotado pelo frio homem da cidade. Considerado o melhor contra-relogista da história até o surgimento do espanhol Miguel Induráin, Anquetil venceu em sua primeira participação, em 1957. Com 12 vitórias em CRIs, a estratégia do francês nas montanhas era apenas de marcar os principais adversários. Anquetil tinha língua afiada. Sua sugestão de treino? Alguns uísques, cigarros e mulheres. Anquetil nunca menosprezou Poulidor, mas nunca foram amigos. A década de 60 marcou o retorno das equipes com patrocinadores. Poulidor disputou algumas competições após a retirada de Anquetil, mas viu surgir alguém ainda mais sedento por vitórias.

“O Canibal” abocanha o Tour

Os anos de 1967 e 1968 seriam a grande chance de Poulidor, o “Pou Pou”, mas ele deixou as vitórias escaparem. O Tour de 1967 será sempre lembrado como a edição em que morreu Tom Simpson, na escalada do Mont Ventoux. O melhor ciclista inglês da época sucumbiu por problemas cardíacos, vítima do calor, do esforço excessivo e de anfetaminas. Sua morte impulsionou os primeiros exames anti-doping no Tour de France do ano seguinte. O belga Eddy Merckx, que se tornaria o maior ciclista de todos os tempos, ganhou logo na primeira participação na prova, em 1969. “O Canibal” venceu a competição com mais de 17 minutos de vantagem. Além disso, levou para a casa a camisa verde e o prêmio de melhor escalador. Repetiu a vitória no ano seguinte, com direito a novo prêmio na montanha e oito vitórias de etapa. Ele ainda venceria outras três edições, ratificando no Tour sua hegemonia como o ciclista com maior número de vitórias na carreira.

O último herói francês

Assim como Coppi, Anquetil, Koblet e Merckx, os franceses viram em 1978 um nativo vencer o Tour em sua primeira participação: Bernard Hinault. No ano seguinte, nova vitória, “à moda Merckx”: camisa amarela, camisa verde e sete vitórias de etapa. Mesmo assim, Hinault não era muito bem visto pelos colegas. Em 81 e 82 voltou a vencer. Em 83 surgiu um novo e sofisticado herói: Laurent Fignon, que venceu também em 84, batendo Hinault. Em 1985 Bernard Hinault entrou para a turma dos pentacampeões do Tour, convencendo o americano Greg LeMond a trabalhar para ele. Ele ainda tentou o hexa, mas LeMond, em melhor forma, não permitiu. Com três vitórias (86, 89 e 90), LeMond colocou os EUA na lista dos campeões do Tour.

O domínio espanhol

Os pentacampeões Anquetil e Merckx venceram quatro vezes consecutivas. Hinault venceu quatro em cinco edições. O espanhol Miguel Induráin foi o primeiro a vencer cinco edições seguidas entre 91 e 95. Excepcional contra-relogista, Induráin se defendia muito bem na montanha. Sem demonstrar muitas emoções durante as provas, o espanhol não venceu de primeira, pelo contrário. Após dois abandonos (85 e 86), obteve um 97º, um 47º e um 17º nos anos seguintes, enquanto trabalhava para outro espanhol, Pedro Delgado. Sua vitória no contra-relógio de 89, porém, mostrou todo o potencial que tinha. Seu estilo levou muitos críticos a se aborrecerem com suas vitórias. Mas alguns triunfos, como o de 94, quando bateu Marco Pantani nos Pireneus, e o de 95, quando lançou um ataque vencedor na etapa plana de Liège, demonstraram que tinha muitos recursos. Em 1996, Induráin tentou o hexa. Como homenagem, o Tour passou por Navarra, sua região natal. O espanhol tinha adversários fortes, como o dinamarquês Bjarne Riis. Em uma etapa nos Alpes, Riis atacou várias vezes, dobrou Induráin e venceu Tour. Recebeu a preciosa ajuda de um gregário alemão, o jovem Jan Ullrich, campeão no ano seguinte. A brilhante vitória do italiano Marco Pantani, em 1998, foi ofuscada por um escândalo de doping, o caso Festina. A equipe francesa Festina, que organizou um sistema de dopagem com EPO (eritropioetina) foi excluída do Tour logo no começo, enquanto o pelotão fez várias manifestações até a chegada a Paris.

Um homem vira mito

No ano seguinte, a ética foi a prioridade dos organizadores. Vários controles foram realizados nos atletas. Mas a superação de um ciclista trouxe de volta a esperança. Lance Armstrong iniciou, em 1999, sua caminhada para ser o homem mais vitorioso da história do Tour, depois de vencer o câncer. Com um ritmo de pedaladas inovador nas montanhas e um contra-relógio consistente, dominou a prova por sete anos seguidos. Não conseguiu ser unanimidade entre os especialistas, mas se tornou popular em todo o mundo. O sucesso do norte-americano colocou Jan Ullrich na sombra, com três segundos lugares e um terceiro.

Os brasileiros no Tour

Cinco ciclistas já tiveram o prazer de representar o Brasil no Tour de France. O primeiro foi Renan Ferraro, em 1986. Depois foi a vez de Mauro Ribeiro, em 1991, Wanderley Magalhães, em 1994, Luciano Pagliarini, em 2002 e 2005, e Murilo Fischer, em 2007 e 2008.Mauro Ribeiro foi o único a conseguir vencer uma etapa da competição e o primeiro a completar a prova. No ano passado, Murilo Fischer igualou o feito de Ribeiro ao cruzar a linha de chegada em Paris, e por pouco não conseguiu uma vitória na 11ª etapa, mas acabou em terceiro lugar.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

20/05/2010-Amador de elite

Amador de elite
Emerson Gomes
As desculpas para desanimar serão sempre maiores e mais frequentes. Então, não penso muito. Acordo, pego minha bike e vou pedalar. Pronto.O ciclismo e a minha vida já estão integrados faz tempo. O topo de uma montanha não é uma vitória esportiva, é uma vitória pessoal. Adoro desafios. Eles são minha principal motivação. Quando criança, momento em que a bicicleta entrou na minha vida – e na vida da maioria das pessoas –, sempre me desafiava a ir além. Meu primeiro emprego foi de entregador. Lógico, fazia isso de bicicleta. Escolhia as subidas mais difíceis e tentava chegar cada vez mais rápido. Isso me fez melhor.Quando jovem, sonhava que um dia pedalaria na Europa. Não me tornei profissional. Treino todos os dias com a paixão de um amador. Há dois anos viajo como convidado da minha equipe para competir na Itália e na França e volto com bons resultados. É o melhor exemplo de que é preciso sonhar nesta vida. Por mais que pareça impossível, tem que acreditar. Infelizmente, viver de ciclismo é muito difícil. Quase impossível. Tive que me afastar dos pedais durante a faculdade. Época em que trabalhei e estudei. Formei-me em farmácia e logo montei uma drogaria para mim. Uma coisa é certa: farmácia só vai quem está doente. É um ambiente estressante. A pessoa chega lá desanimada com a doença e com o fato de ter que gastar com um tratamento. Enfim, logo vi que precisava de um esporte para me desestressar. Em 2005, voltei a pedalar. Apenas treinando empiricamente não chegaria muito longe. Sempre me adoecia. Encontrei a assessoria da BR Sports e acho que fui muito feliz nesta escolha. Trabalhando das 8h às 20h, preciso sair de casa às 5h30 para pedalar, voltar, tomar banho e correr para o trabalho. Hoje, treino uma média de 2h/2h30 por dia. Faça chuva, faça sol. Nem preciso dizer como é difícil sair da casa nesses dias frios. Mas não me permito falhar. As desculpas para desanimar serão sempre maiores e mais frequentes. Em poucos momentos você encontrará algo realmente motivador. Então, não penso muito. Acordo, pego minha bike e vou pedalar. Pronto. O ciclismo, para mim, é o mais difícil dos esportes. O resultado demora para aparecer e quando você acha que está muito bem, 20 adversários chegam melhor do que você nas provas. Além disso, é preciso ter sempre uma dieta e um cuidado com o peso, com a recuperação. O apoio da família é sempre muito importante. Minha noiva, por exemplo, sabe que no final de semana de prova o sábado está comprometido, pois tenho que descansar – e domingo também, pois estou cansado. Como farmacêutico, tenho acesso a tudo. Apesar das brincadeiras dos amigos, mantenho-me distante das drogas do ciclismo. Meu conhecimento e minhas experiências com os clientes deixam muito claro os problemas de quem opta por esse caminho. Uma nutricionista me ajuda com a dieta e com os suplementos – uso basicamente maltodextrina – e meus exames de sangue demonstram um nível normal de hematócrito. Quem apela para as drogas não consegue se manter em alto nível por muito tempo. Se eu tenho no currículo os títulos paulista e valeparaibano de resistência em 2008, isso é fruto da minha consistência. Nem sempre eu ganho, mas estou sempre entre os melhores. Nos dois últimos anos, tive a chance de competir provas internacionais, convidado pelo patrocinador da equipe que integro, a Tecnoval. Fui o melhor brasileiro no último L’Etape do Tour, mas, sem dúvida, o que mais me marcou nessa experiência internacional é a paixão dos europeus pela bicicleta. Ver os franceses nas ruas naquele dia de temperatura fria, aplaudindo os amadores, foi sensacional. E pensar que as pessoas que encontro na rua enquanto pedalo muitas vezes me xingam e pensam que eu não tenho mais nenhum compromisso. Que eu sou um à toa atrapalhando o trânsito. Quanta diferença.Minha cidade, Guaratinguetá, é uma cidade que facilita a vida do ciclista. Além de poder sair de casa pedalando, tenho opções de pedalar subidas nas Serras do Mar e da Mantiqueira ou treinar plano na Dutra. O grande número de praticantes na região também ajuda a empolgar. No meu caso, tenho sempre a companhia do meu amigo Taquara e do Tiago Fiorilli, ciclista profissional. Sou um ciclista com bom desempenho nas subidas e que se defende bem nos sprints. Em 2009, fui o 84º entre os 9.000 participantes da Maratona dles Dolomites, prova amadora disputada na Itália. Um desempenho que me deixou muito satisfeito. Semanas antes, em uma cronoescalada no Passo Pordoi, com 9,5 km, fiquei em segundo na minha categoria. Se vale a pena tanta entrega? Claro. Fui picado pelo bichinho do ciclismo, como dizem meus amigos. Senão, não chegaríamos de uma viagem de avião de 12 horas e iríamos direto para Interlagos, alinhar para a 9 de Julho. Isso é paixão pura. desculpas para desanimar serão sempre maiores e mais frequentes. Então, não penso muito. Acordo, pego minha bike e vou pedalar. Pronto.O ciclismo e a minha vida já estão integrados faz tempo. O topo de uma montanha não é uma vitória esportiva, é uma vitória pessoal. Adoro desafios. Eles são minha principal motivação. Quando criança, momento em que a bicicleta entrou na minha vida – e na vida da maioria das pessoas –, sempre me desafiava a ir além. Meu primeiro emprego foi de entregador. Lógico, fazia isso de bicicleta. Escolhia as subidas mais difíceis e tentava chegar cada vez mais rápido. Isso me fez melhor.Quando jovem, sonhava que um dia pedalaria na Europa. Não me tornei profissional. Treino todos os dias com a paixão de um amador. Há dois anos viajo como convidado da minha equipe para competir na Itália e na França e volto com bons resultados. É o melhor exemplo de que é preciso sonhar nesta vida. Por mais que pareça impossível, tem que acreditar. Infelizmente, viver de ciclismo é muito difícil. Quase impossível. Tive que me afastar dos pedais durante a faculdade. Época em que trabalhei e estudei. Formei-me em farmácia e logo montei uma drogaria para mim. Uma coisa é certa: farmácia só vai quem está doente. É um ambiente estressante. A pessoa chega lá desanimada com a doença e com o fato de ter que gastar com um tratamento. Enfim, logo vi que precisava de um esporte para me desestressar. Em 2005, voltei a pedalar. Apenas treinando empiricamente não chegaria muito longe. Sempre me adoecia. Encontrei a assessoria da BR Sports e acho que fui muito feliz nesta escolha. Trabalhando das 8h às 20h, preciso sair de casa às 5h30 para pedalar, voltar, tomar banho e correr para o trabalho. Hoje, treino uma média de 2h/2h30 por dia. Faça chuva, faça sol. Nem preciso dizer como é difícil sair da casa nesses dias frios. Mas não me permito falhar. As desculpas para desanimar serão sempre maiores e mais frequentes. Em poucos momentos você encontrará algo realmente motivador. Então, não penso muito. Acordo, pego minha bike e vou pedalar. Pronto. O ciclismo, para mim, é o mais difícil dos esportes. O resultado demora para aparecer e quando você acha que está muito bem, 20 adversários chegam melhor do que você nas provas. Além disso, é preciso ter sempre uma dieta e um cuidado com o peso, com a recuperação. O apoio da família é sempre muito importante. Minha noiva, por exemplo, sabe que no final de semana de prova o sábado está comprometido, pois tenho que descansar – e domingo também, pois estou cansado. Como farmacêutico, tenho acesso a tudo. Apesar das brincadeiras dos amigos, mantenho-me distante das drogas do ciclismo. Meu conhecimento e minhas experiências com os clientes deixam muito claro os problemas de quem opta por esse caminho. Uma nutricionista me ajuda com a dieta e com os suplementos – uso basicamente maltodextrina – e meus exames de sangue demonstram um nível normal de hematócrito. Quem apela para as drogas não consegue se manter em alto nível por muito tempo. Se eu tenho no currículo os títulos paulista e valeparaibano de resistência em 2008, isso é fruto da minha consistência. Nem sempre eu ganho, mas estou sempre entre os melhores. Nos dois últimos anos, tive a chance de competir provas internacionais, convidado pelo patrocinador da equipe que integro, a Tecnoval. Fui o melhor brasileiro no último L’Etape do Tour, mas, sem dúvida, o que mais me marcou nessa experiência internacional é a paixão dos europeus pela bicicleta. Ver os franceses nas ruas naquele dia de temperatura fria, aplaudindo os amadores, foi sensacional. E pensar que as pessoas que encontro na rua enquanto pedalo muitas vezes me xingam e pensam que eu não tenho mais nenhum compromisso. Que eu sou um à toa atrapalhando o trânsito. Quanta diferença.Minha cidade, Guaratinguetá, é uma cidade que facilita a vida do ciclista. Além de poder sair de casa pedalando, tenho opções de pedalar subidas nas Serras do Mar e da Mantiqueira ou treinar plano na Dutra. O grande número de praticantes na região também ajuda a empolgar. No meu caso, tenho sempre a companhia do meu amigo Taquara e do Tiago Fiorilli, ciclista profissional. Sou um ciclista com bom desempenho nas subidas e que se defende bem nos sprints. Em 2009, fui o 84º entre os 9.000 participantes da Maratona dles Dolomites, prova amadora disputada na Itália. Um desempenho que me deixou muito satisfeito. Semanas antes, em uma cronoescalada no Passo Pordoi, com 9,5 km, fiquei em segundo na minha categoria. Se vale a pena tanta entrega? Claro. Fui picado pelo bichinho do ciclismo, como dizem meus amigos. Senão, não chegaríamos de uma viagem de avião de 12 horas e iríamos direto para Interlagos, alinhar para a 9 de Julho. Isso é paixão pura.
fonte Prologo

domingo, 16 de maio de 2010

16/05/2010 - Sta Ines só serra e acidentes
















Serra de sta Ines eu Pardal e Orides saimos cedo de casa e fomos em sentido a marginal Tiete entrando na ponte de vila Maria na av nadir dias de figueiredo tinha um motoqueiro de uma twister morto, perguntei para um morador como morreu mesmo por que a moto nao danificou ele levou uma fechada e bateu no poste.
Seguimos em frente pela av Maria Candida,Olavo Egidio em Santana e av Voluntarios da patria e por fim a estrada de Sta Ines valeu a pena a estrada foi reformada com asfalto novo da hora
Ai começou as subidas e que subidas mas a frente tinha duas viaturas da policia militar de plantao ao lado um carro roubado nao paremos seguimos em frente, mas a frente um outro carro que se perdeu na curva e caio no mato.
Dai em diante só alegria seguimos em direçao a Mairiporã paramos na padaria para comer um lanche e depois seguimos viagem pela rodovia Fernao dias a ponte que caiu ainda esta em reforma pelo jeito essa obra ainda vai demorar
Por motivo de segurança ta tendo roubo de bike perto das(calotas) antes da Vila Galvao subimos a passarela e fomos por dentro de Guarulhos pela av Paulo Faccini e viemos com toda segurança ate o aeroporto dali pegamos a Ailton senna e Jacu Pessego.
Parada obrigatoria na casa do Orides para descansar
Hoje andamos 129 km até a proxima
ate mais Pardal

domingo, 11 de abril de 2010

11/04/10 Estrada da general motor

Hoje domingo um dia muito frio sai de casa e fui ate a casa do Orides no fim da jacu pessego
estava la o Almir e combinamos pra aonde a gente iria pois nois estava sem treino afinal a semana inteira chovendo.
Eu tive a ideia de irmos para a estrada da (general motor) que fica na dutra perto de santa isabel e fomos em sentido a jacu pessego,av.santos dumont e dutra ate a entrada de Mogi.
Encontremos uma turma de ciclista de Guarulhos que ia para Sao Jose dos Campos,entramos na rodovia que vai pra Mogi Bertioga ate a tao falada general motor a estrada estava muito ruim cheio de buracos muito feia a estrada , mas sem problemas mas pra frente melhorou e seguimos em adiante paremos perto dum caquisal e fizemos a festa comemos caqui ate umas horas,por fim seguimos em frente ate santa Isabel
Pegamos a Dutra voltando para Sao Paulo ate Cumbica voltando para casa paremos de costume na casa do Orides e descansamos e depois viemos embora
Foi uma curta distancia, mas bom ritimo 120 km hoje

Ate a proxima

Pardal

sábado, 6 de março de 2010

06/03/10 Como Pedalar na Grande Cidade


Pedalar nas grandes cidades
Saiba se portar com a bike em meio ao trânsito caótico das metrópoles
de bicicleta não é tarefa simples. Muitas vezes envolve superar diversos obstáculos e dificuldades, visíveis ou não, tanto para os ciclistas/pedestres quanto para os motoristas dos mais variados veículos (carros, motos, ônibus, caminhões etc.). Insegurança, medo, falta de paciência e controle sobre a própria bike. Tudo isso pode influenciar no seu pedal entre os centros urbanos – de grande, média ou pequena proporção. É preciso, entretanto, saber que há possibilidade de controlar toda essa situação, conquistando assim seu espaço e mobilidade entre pedestres e veículos.O ciclista Arturo Alcorta, do site Escola de Bicicletas, conversou com o Prólogo e falou sobre a relação bike/trânsito, procurando explicar o porquê dos problemas entre ciclistas e motoristas nas metrópoles. O principal apontamento para as dificuldades é o fator insegurança. “A culpa não é do motorista, mas sim do ciclista. Muitas vezes ele não sabe como agir no trânsito, o que ocasiona fatalidades”, disse. “De acordo com dados europeus, 55% dos acidentes são responsabilidade direta do ciclista. Isso é algo comprovado.”“O ciclista pensa como o motorista. Não sabe sinalizar, fica nervoso e estressado. E, por fim, vai agir com imprudência”, emendou. Histórico de acidentes nas grandes capitais, como é o caso de São Paulo, também influência na insegurança e medo por parte do amante do pedal. “Infelizmente acontecem tragédias, mas são fatos isolados. A mídia divulga tanto essas notícias, que influencia psicologicamente a pessoa.”É preciso estar consciente que para praticar o pedal é necessário buscar a bike ideal. A utilização de equipamentos inapropriados também favorece e aumenta a probabilidade de acidentes. Utilizar bikes que facilitem a visão do ciclista é primordial, além de utilizar outros recursos como:- Refletor nas rodas- Lanterna traseira- Farol dianteiro- Refletor nos capacetesPor fim, outra observação de Alcorta é o comportamento sobre a bicicleta. Para ele, ter consciência que a utilização de ciclofaixas é para o passeio e não competição é válida. “As pessoas têm a triste mania de imprimir ritmo forte, exagerar. Essas bicicletas são para obter reações tranquilas e previsíveis, não para competição. Isso também proporciona acidentes.”No Brasil, existem cerca de 60 milhões de bicicletas que circulam diariamente em território nacioanal. O primeiro passo em dar preferência às “magrelas” já está sendo executado. Basta agora a consciência de como utilizá-las, beneficiando não apenas a si, mas aos demais.
Editado por Tadeu Matsunaga da revista Prologo
Até a proxima Pardal