sexta-feira, 29 de julho de 2011

dia 29/07/2011 O certo e o errado com Ricardo Arap




Existem as verdades relativas, que são o ponto de vista de cada um e existem os pontos incontestáveis, sem exceção, verdades absolutas, como um mais um são dois e tudo que nasce morre um dia. Temos vários exemplos de experiências como essas no ciclismo e as vivenciamos em nosso dia-a-dia.Pedalar certo é pedalar trancado ou girando em alta rotação? Carbono, alumínio ou titânio? Tubular ou clincher? Nas subidas temos de pedalar sentados, alternar posições ou de pé sempre? Seguramos em cima, ao lado ou embaixo do guidão? Será que estou na postura certa em cima de bike? Freamos ou não nas descidas?Janete Evans, a grande nadadora americana no início dos anos 90, com um corpo pequeno e um estilo feio de braçadas assimétricas, foi imbatível nos 400 m e 800 m nado livre. E onde estava sua eficiência? Na excelência de técnica de alavancas dentro da água, na sua flutuabilidade e coordenação de pernas, sem contar, é claro, na sua dedicação máxima. Quem poderia apostar nela simplesmente pela sua forma de nadar?A disputa dos dois melhores ciclistas da temporada passada, Alberto Contador e Andy Schleck, demonstrou muito essa variação de estilos, em que um variava muito a posição na subida, além de um rotação de giros maior, enquanto o outro se mantinha mais tempo em cima do selim da sua bicicleta, salvos seus constantes sprints de ataque e tentativas de fugas.O triatleta paulistano Sérgio Menicone, um amigo meu, conseguiu no ano passado o quarto lugar na seletiva do Canadá e a vaga para o Ultraman do Havaí, que acontecerá no segundo semestre deste ano, desobedecendo há muito tempo várias considerações básicas da técnica de pedalada, com um estilo próprio, bastante travado, que lembra mais um iniciante que não sabe para que existem tantas relações e o que fazer com elas − e mesmo assim possui um pedal constante e eficiente para o tipo de desafio que escolheu para realizar.Outras contradições desse jogo de certo e errado são as experiências que presenciamos na rotina daqueles que frequentemente usam a bike. Quantos exemplos não vemos de pessoas que começam a pedalar de forma sisuda, carrancuda e, ao terminarem suas tarefas, vão embora flutuando, desabrochados, bem mais leves, alegres e sorridentes?E o inverso acontece, quando alguns começam a pedalar com a intenção de curtir um belo dia e voltam de cabeça quente para suas casas, seja por um problema mecânico, pneu furado ou por uma discussão acalorada com um motorista imprudente.O episódio do motorista que atirou seu carro contra ciclistas em Porto Alegre me faz refletir no argumento da sua defesa para tal atitude. O quanto diversas vezes nós erramos de modo impulsivo e intuitivo aos nos sentirmos ameaçados, interagindo com o agressor com as mesmas ferramentas, ou seja, mais agressividade, e várias vezes de modo covardemente coletivo?Não são raras as situações quando alguém que faz parte deste universo de duas rodas entra no seu carro e passa a agir da mesma forma que todos esses inconsequentes motoristas, desconsiderando o esporte que escolheu para praticar, colocando em risco o seu próximo, seja ele um ciclista ou um simples trabalhador que segue seu caminho de volta para casa com sua bicicleta.É bem difícil determinar o que é certo ou errado, ainda mais por conta dos nossos pontos de vista, das nossas adaptações, dos nossos estímulos, mas podemos, de bicicleta, de carro ou a pé, buscar fazer o que nos traga realização e felicidade, sem desrespeitar e desconsiderar as verdades de cada um.



sexta-feira, 3 de junho de 2011

Historia das bicicletas Fuji













1899
Pouco antes da virada do século, nascia a marca de bicicletas Fuji no Japão. Quando as primeiras bicicletas saíram da linha de montagem, os engenheiros da Fuji reconheceram a necessidade de projetos com um maior nível de desempenho.
1920
A Fuji continua no seu caminho para tornar-se a bicicleta mais popular do Japão, dominando não somente o mercado, mas também vencendo corridas em competições de ciclismo em todo o território japonês. Os engenheiros da Fuji começaram a pesquisar e desenvolver bicicletas para competições internacionais, não somente com o objetivo de vencer, mas também para utilizar o ambiente de competição como laboratório de tecnologia avançada de bicicletas, descobrindo projetos mais rápidos, leves e duráveis.
1930
A Fuji estabeleceu a primeira corrida nacional entre Osaka e Tóquio e patrocinou naturalmente a equipe vencedora dessa "Volta do Japão (Tour de Japan)". Atualmente, essa corrida continua a ser uma das principais competições na Ásia.
1951
A tradição de corridas da Fuji continuou quando os primeiros Jogos Asiáticos foram realizados em Nova Delhi, e foi vencida por um jovem chamado Shoichiro Sugihara sobre uma Fuji. Durante esse período, a Fuji era tão popular em toda a Ásia que as vendas de suas bicicletas se expandiram rapidamente para outros mercados asiáticos.
1964
Os Jogos Olímpicos foram realizados em Tóquio. O engenheiro-chefe da Fuji e mundialmente renomado projetista de bicicletas, Dr. Shoichiro Sugihara, foi o treinador da equipe nacional do Japão. Como um competidor de ciclismo, o Dr. Sugihara projetou as bicicletas com as quais a equipe competiu.
1968
O Dr. Sugihara desempenhou novamente essa missão nos Jogos Olímpicos de 1968 no México e de 1972 em Munique.
1971
A Fuji America foi estabelecida. Aproveitando a onda de inovação, eficiência e perícia profissional japonesa em manufatura, a qual já tinha se tornado um indicativo nos setores de eletrônica e automotivos, a Fuji tornou-se uma das mais respeitadas e procuradas marcas de bicicletas nos EUA.
1973
Entre os avanços da Fuji está a utilização de conjuntos de quadros de Cromo Molibdênio com dupla espessura em muitos modelos com preços populares.
1974
A Fuji está à frente de seu tempo como a primeira a introduzir o agora lendário grupo de componentes Shimano Dura Ace em uma bicicleta de produção em série. Em 1974, 1976 e 1980, a Fuji foi classificada como a primeira no teste de bicicletas do Consumers Reports.
1987
A Fuji contrata Mark Gorski, Medalhista de Ouro Olímpico na categoria “sprint”, para competir com a equipe de elite da Fuji. A Fuji obtém um par de “primeiros lugares”--a primeira a fabricar quadros com o material da era espacial, o titânio. Primeira a desenvolver uma bicicleta urbana de alta qualidade com pneus extra largos.
1999
A Equipe Profissional de Ciclismo Mercury leva a Team Issue da Fuji a mais de 70 vitórias, fazendo da mesma a melhor equipe profissional de ciclismo nos EUA. A equipe Mercury também foi premiada pela VeloNews como a equipe do ano, pelo quarto ano consecutivo.
2001
A corporação Fuji muda a forma pela qual a empresa realiza negócios, transferindo o canal de distribuição das “grandes lojas” para Revendedores Independentes de Bicicletas. A Fuji estabelece parceria com uma empresa européia de marketing e distribuição, expandindo a marca para 16 países.
2003
A série Diamante (Diamond) ganha suspensão dupla com ligação de quatro barras. Um projeto de suspensão classificado em primeiro lugar pela principal revista alemã de ciclismo entre todos os mais populares projetos de suspensão disponíveis no mundo. O modelo feminino Roubaix da Fuji vence a premiação de Seleção dos Editores da Bicycling Magazine.
2004
A ciclista alemã Judith Arndt vence o Campeonato Mundial em Estrada, em Verona, Itália, sobre uma novíssima Team Issue. Ela é a primeira a competir com o primeiro quadro totalmente em fibra de carbono da Fuji.
2005
Regina Schleicher classificou duas vezes a Fuji no Campeonato Mundial de Estrada em Madri, Espanha. Não sendo de modo algum uma coincidência, isto é um reflexo do contínuo interesse da Fuji nas inovações tecnológicas e de nossa dedicação para produzir bicicletas da melhor qualidade disponível.
2006
A linha 2006 apresenta uma série de refinamentos de engenharia, tanto sutis como surpreendentes - o resultado de anos de sintonia fina e especialização. A Fuji empenhou-se bastante no sentido de assegurar que a tecnologia através de nossa atuação nos Campeonatos Mundiais tenha se tornado disponível em toda nossa linha de bicicletas. A Fuji expandiu suas vendas de bicicletas para 36 países em todo o mundo. Elas são universalmente reconhecidas pela sua qualidade, desempenho e valor.
2007
Advanced Sports, Inc. compra Kestrel Bicicletas.
2008
Advanced Sports, Inc. compra Breezer Bicicletas. ASI entrar em um acordo para adquirir Twin Sport (ASI-Europa) iniciando a distribution of ASI's brands in Germany. distribuição das marcas da ASI, na Alemanha.
2009
ASI-Ásia começa a distribuição direta da China de todas as marcas ASI. ASI licencia a marca Terry Bicicletas para todo o mundo.

03/06/2011 Fuji presta homenagem a sua origem japonesa



Taiwan - A Marca Fuji honra seus 111 anos de fundação em 2011 retornando a suas origens japonesas. A marca, originalmente estabelecida como Nichibei Fuji em 1899, irá equipar suas bikes somente com componentes Shimano no ano de 2011, solidificando uma parceria exclusiva com a companhia japonesa de componentes de 89 anos de idade. Adicionalmente, algums quadros Fuji serão fabricados à mão no Japão, disse Pat Cunnane, Presidente da matriz da Fuji, falando ao publico reunido nesta ultima noite de quarta-feira no hotel Grand Hyatt em Taipei, Taiwan. "Isto não é nostalgia ou olhar o passado, e olhar à frente," Cunnane disse antes de convidar seus amigos o presidente da Shimano Yozo Shimano e o presidente Chang da IDEAL Bikes um dos maiores fabricantes de bicicletas do mundo, para participar numa cerimônia de abertura tradicional Japonesa “sake barrel” A Fuji foi a primeira marca japonesa a ser comercializada nos EUA em 1971, hoje a Marca Fuji é vendida em 35 países por 3.000 distribuidores. No ano passado, assumiu a quinta posicao das marcas mais vendidas nos EUA, conforme Pat Cunnane. “Esta é nossa melhor posicao ate o momento”, adicionou. Para comemorar o aniversario numero 111 da marca , a Fuji ira produzir uma serie especial de bikes, inclusive duas bicicletas de aço feitas à mão inspiradas nos modelos de estrada e pista originais da marca. A Fuji produzirá 111 unidades da bicicleta de estrada modelo Yaiba e Kissaki de pista, ambas serão numeradas e assinadas pelo frame bilder, Sr. Tetsuya Ishigaki. A serie Yaiba sera equipada com componentes Dura-Ace com o distintivo original da Fuji e acessórios de couro inclusive uma bolsa de selim vintage, fita de guidão, clipes de dedo e protetor de toptube. A corrente sera banhada à ouro e acompanhara o pedivela Sugino. A Fuji também esta lancando uma nova linha, a série Nichibei, decorada com gráficos mínimalistas e acabamento polido, usando um inovador processo de pintura. Os modelos incluem, Nichibei SST/Carbon, Nichibei ACR, Nichibei Roubaix e Nichibei Finest .



sexta-feira, 22 de abril de 2011

Qual o futuro do ciclismo?

Muitos questionamentos e especulações existem em torno do futuro do ciclismo. O que será do esporte dentro de alguns anos? A resposta parece ter começado a surgir no final do último ano.O presidente da UCI (União Ciclística Internacional) Pat McQuaid anunciou sua ambição em expandir a categoria, globalizá-la ainda mais e implementar competições de alto nível em centros antes não tão visados como América do Norte, América do Sul e Ásia. Até mesmo os africanos foram lembrados.Definitivamente, o perfil da entidade máxima do ciclismo parece mudar, deixando o conservadorismo e centralismo um pouco de lado. Outra constatação sobre essa mudança de postura foi a divulgação das equipes profissionais continentais na temporada 2011.Equipes de grande expressão como as francesas Cofidis e Française des Jeux (FDJ) e a italiana Geox (ex-Footon Servetto) acabaram rebaixadas e deixaram de integrar o ProTour; outras ficaram de fora, caso da Pegasus Sport, do sprinter Robbie McEwen. Em contrapartida, os colombianos da Pasión-Café, novamente, colocam uma equipe sul-americana na 2ª Divisão do ciclismo mundial.McQuaid também falou sobre o futuro das grandes voltas e deixou claro que o Tour de France é intocável e não deve sofrer qualquer tipo de alteração no calendário, mas considerou as hipóteses das outras duas grandes voltas – Giro d´Italia e Vuelta a España terem um processo de encurtamento.Tudo isso é resultado de uma única constatação: o ciclismo está se modernizando e alcançar mercados abrangentes torna-se uma das vias para o sucesso do esporte ao redor do planeta. Mas onde fica o Brasil em meio a isso tudo? Todas as experiências vivenciadas, inclusive no último Campeonato Mundial, servem de referência. É preciso ter um feedback técnico, obter noções de estrutura e planejamento para que seja realizado um projeto grandioso. Sabemos das limitações e certamente teremos que adquirir uma dinâmica mais acelerada para que, nos próximos anos, possamos, quem sabe, realizar eventos de primeira grandeza e receber os melhores ciclistas do mundo em terras tupiniquins. Estamos, de maneira lenta, mas consistente, progredindo e buscando um maior espaço no cenário internacional. Apesar de poucos, os ciclistas brasileiros têm realizado intercâmbios no exterior e conquistado mais oportunidades e visibilidade.Se pensarmos nas equipes nacionais, Pindamonhangaba encerrou 2010 na liderança do ranking AmericaTour e, pelo segundo ano consecutivo, integra o grupo de times Continentais. Mesmo desejo dos paranaenses da DataRo. Esse é mais um dos passos que devemos trilhar, com seriedade e sem repetir os erros anteriores (basta recordar que a extinta equipe Scott utilizou a licença Continental por dois anos e quando chegou à categoria ProContinental enfrentou inúmeros problemas).Temos um bom exemplo “ao lado” com os argentinos, que, neste mês de janeiro, realizam mais uma edição do Tour de San Luís. Após inúmeros esforços e com um planejamento adequado, a prova conquistou – com méritos – o apoio da UCI. Para se ter uma noção da dimensão adquirida pela competição, o italiano Ivan Basso, bicampeão do Giro d´Italia, será novamente um dos presentes no evento ao lado da Liquigas.Estamos longe dessa realidade e precisamos reconhecer e admitir isso. Porém, a tendência da globalização no esporte tem como objetivo abrir perspectivas para os mercados emergentes e devemos buscar e firmar nosso espaço no ciclismo. O futuro está olhando para nós!

domingo, 3 de outubro de 2010

Ciclovias da cidade que nao funciona!


Ciclistas desrespeitam sinalização e abusam da velocidade em ciclovias de SP
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Quem disse que trafegar na contramão, circular fora do horário permitido, fazer ultrapassagem proibida e ignorar placa de trânsito são exclusividade de condutor de automóvel? Adeptos da bicicleta andam cometendo infrações na ciclofaixa que interliga os parques Ibirapuera, das Bicicletas e do Povo, na zona sul de São Paulo.
A Folha percorreu ontem os 10 km (ida e volta) do pedaço criado para que ciclistas circulem aos domingos das 7h às 14h. Nas faixas de pedestre, de cor branca, ciclistas devem descer da bicicleta e atravessar empurrando o veículo, informa a placa. Pouca gente obedece.
As de cor vermelha deveriam ser exclusivas das bikes. Não são. O sentido obrigatório tampouco é seguido pelos ciclistas, apesar do apelo insistente de orientadores, espalhados pelos pontos-chave do trajeto.
Outro flagrante constante é o desrespeito de ciclistas com os próprios ciclistas. Apressadinhos são incapazes de obedecer o limite de 20 km/h. Na ausência de buzina, gritam para que os outros deem passagem.
Quando isso não acontece, invadem a área dos carros para ultrapassar. Com a manobra, jogam os cones de demarcação na pista vizinha, a dos automóveis, afetando o trânsito.
A Secretaria Municipal de Esportes diz que a ciclofaixa é para lazer, e não para competição. Daí a orientação para que usuários não abusem da velocidade, a fim de evitar acidentes.
Para Leandro Valverdes, 32, diretor da Ciclocidade (Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo), "o perigo é o paulistano repetir o comportamento do trânsito na ciclofaixa".
Para complicar, pedestres, patinadores e skatistas querem dividir espaço com ciclistas. Só que a faixa é exclusiva das bicicletas. Desde o lançamento, em 30 de agosto de 2009, o número de frequentadores aumenta. Começou com 9.200 ciclistas. Atualmente, cerca de 12 mil paulistanos pedalam por lá.
Fred Chalub/Folha Imagem
Ciclistaz faz ultrapassagem por fora da área destinada à ciclofaixa que margeia o parque do Ibirapuera
Outras barbeiragens
"Estamos abaixo de 50% em termos de educação tanto por parte dos ciclistas como dos motoristas", reconhece Marcos Mazzaron, 46, diretor da FPC (Federação Paulista de Ciclista). "Falta educação", diz. Um dos responsáveis pela implantação da ciclofaixa, Mazzaron conta que ao menos 700 cones foram furtados do percurso.
Somente a iniciativa privada investe R$ 24 mil para ativar e desativar a ciclofaixa todos os domingos. Ao todo, 80 monitores atuam na sinalização e na pedalada entre os ciclistas.
Maria Lucia de Andrade, 45, desde janeiro comanda o fluxo de ciclistas na entrada do parque das Bicicletas. Não para um minuto. "À direita, por favor! Pai explica para o seu filho que o sinal está vermelho e que ele deve aguardar. Obrigada."
Ela não se mostra desanimada em ter que repetir as orientações inúmeras vezes. O que a deixa irritada é a postura dos motoristas. "Logo de manhã, tem condutor reclamando da faixa. É uma falta de respeito."
Ontem, 30 minutos depois de a ciclofaixa ser aberta, um carro invadiu a área exclusiva das bicicletas e arrastou cones. Ninguém saiu ferido. Mesma sorte não teve o gráfico Hamilton Conceição, 46, atropelado por um carro, que também avançou sobre o espaço reservado à turma do pedal, no último dia 28. O ciclista fraturou a clavícula.
A ampliação da largura da faixa é alternativa que poderia melhorar a convivência entre quem pedala e quem dirige, diz Valverdes, da Ciclocidade.
André Pasqualini, 35, diretor do Instituto CicloBR, diz que o erro crucial da prefeitura foi ter colocado as faixas de ciclistas do lado esquerdo. "Os pais não podem deixar as crianças pedalarem do lado direto porque elas estarão expostas ao tráfego de carros e a acidentes", conta. "Motoristas invadem a faixa dos ciclistas, principalmente em momentos de conversão."
A CET considera a ciclofaixa segura e não prevê mudanças nas faixas. Ninguém duvida que ela trouxe benefícios para a cidade, principalmente no convívio mais democrático entre carro e bike, além de reforçar o uso da bicicleta como meio de transporte. Mas também é inegável que algumas medidas precisam ser implementadas para garantir a segurança de todos.
Ciclista de domingo, a empresária Gisleynne Faria, 33, acha que a população precisa ser orientada corretamente sobre a ciclofaixa. "Fazem tanta propaganda política. Poderiam usar parte da verba para uma campanha educativa. Isso, sim, seria cidadania." Fica a dica.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

O maior espetaculo do ciclismo Tour de France

O maior espetáculo do ciclismo

Nem nas mais otimistas das hipóteses Geo Lefevre e Henri Desgrange imaginavam que a corrida de bicicleta que eles estavam planejando se tornaria o maior evento do ciclismo mundial de todos os tempos e nem que eternizariam seus nomes na história do esporte. A idéia de criar uma corrida de bicicleta que percorresse a França, em 1902, surgiu da necessidade de aumentar as vendas do jornal francês “L’Auto” (que depois se transformaria no atual “L’Équipe”). O Tour teve sua primeira edição em 1º de julho de 1903 e nunca parou de crescer; e a glória de vencer a disputa mais importante do ciclismo pertence a apenas 54 heróis, alguns deles mitos.

Cada um por si

O primeiro campeão do Tour de France foi o francês Maurice Garin, que pedalou 2.428 km, distribuídos em seis etapas, em mais de 94 horas. Nos dezenove dias de disputa, Garin e outros 59 participantes pedalavam cerca de 18 horas por dia e tinham até três dias para se recuperar. Eram responsáveis pelo próprio equipamento, ou seja, em caso de quebra, eles deveriam consertar as bikes. Naquele e nos anos seguintes, a organização não tinha total controle sobre os participantes. Eram comuns casos de caronas em trens, automóveis e também de atalhos na rota.Aos poucos, a volta foi ganhando as características atuais. O Ballon d’Alsace foi a primeira subida a fazer parte do roteiro do Tour, em 1905. As verdadeiras montanhas só chegaram em 1910, com os Pireneus. No ano seguinte os ciclistas fizeram a travessia dos Alpes. Poucos anos depois, a Primeira Guerra Mundial causou a primeira interrupção na prova.

Símbolo do poder

A primeira corrida depois do conflito, em 1919, trouxe uma novidade que mudaria, literalmente, a forma de enxergar os melhores ciclistas do Tour. A camisa amarela foi uma reivindicação dos jornalistas que gostariam de identificar melhor o líder e uma forma que os organizadores encontraram para prestigiar a corrida. O primeiro líder chegou a recusar a camisa, achando que seria facilmente identificado pelos rivais. Mas ela logo se tornou o maior desejo de todos.

Mudanças e conturbações

Na década de 20 Ottavio Bottecchia havia se tornado o primeiro italiano a vencer o Tour, em 1924, e repetira o feito no ano seguinte. Mas Bottecchia não era admirado por todos: foi assassinado em 1927, enquanto treinava. Foi vítima de um fascista, contrariado por críticas do ciclista ao movimento fundado por Mussolini.Na década de 30, três grandes mudanças alteraram o regulamento do Tour. As equipes de fabricantes de bicicleta foram substituídas por times nacionais de oito ciclistas. Também havia equipes regionais, da Normandia e da Provença. Qualquer ciclista poderia usar a mesma bicicleta que o adversário. E a caravana publicitária foi criada para recompor a perda das verbas gerada pela saída das fabricantes. Nesse período foi criada a bonificação por tempo aos melhores de cada etapa. Henri Desgrange, diretor da prova, mostrou que o Tour tinha aprendido a se adaptar para sobreviver. Mas no final dos anos 30, uma nova Guerra Mundial interrompeu a corrida novamente: foram sete anos de ausência. O retorno deu inicio a uma nova era.

A rivalidade italiana

O reinício do Tour após a Segunda Guerra trouxe para a corrida francesa uma rivalidade entre dois italianos que também inflamava o Giro d’Italia. Gino Bartali já havia vencido o Tour em 1938. Fausto Coppi tinha vencido o último Giro antes do conflito mundial. O primeiro era católico devoto e acreditava nos tradicionais métodos de treinamento e no trabalho duro. O outro tinha sido prisioneiro de guerra anos antes, era ateu, abandonara a mulher em favor da amante e tinha vontade de inovar profissionalmente. Ambos perderam muito com o período de guerra, mas a rivalidade que cultivaram era algo inédito no ciclismo. Mais velho, Bartali já era sucesso quando surgiu o rival. O intervalo de tempo entre suas duas vitórias no Tour ainda é recorde. São dez anos entre a primeira, em 38 e a última, em 48. Coppi estreou no Tour em 49 com vitória. A segunda conquista veio em 52, ano de sua última participação. Isso bastou para colocá-lo no hall dos mitos da grande volta.O francês Louison Bobet foi o primeiro tricampeão consecutivo da história do Tour, vencendo em 1953, 54 e 55. Depois de dois anos definindo o primeiro lugar na escalada de um dos montes mais importantes dos Alpes, o Izoard, todas as atenções no terceiro ano estavam em marcar Bobet nesta etapa. Apesar do sucesso dos adversários, Bobet deixou todos para trás em outra escalada, no Mont Ventoux, para garantir o tri.

O amor pelo mais fraco

No fim dos anos 50, os franceses começaram a assistir uma história de rivalidade na qual o herói não era o vencedor. Jacques Anquetil e Raymond Poulidor eram dois franceses com características bem diferentes. Enquanto o primeiro conquistou cinco vezes o título, o outro foi três vezes segundo e cinco vezes terceiro. Nunca teve o gostinho de chegar a Paris com a camisa amarela. Foram 14 tentativas sem sucesso. Por sua perseverança, Poulidor conquistou o carinho do torcedor, que admirava aquele simpático rapaz do campo, sempre derrotado pelo frio homem da cidade. Considerado o melhor contra-relogista da história até o surgimento do espanhol Miguel Induráin, Anquetil venceu em sua primeira participação, em 1957. Com 12 vitórias em CRIs, a estratégia do francês nas montanhas era apenas de marcar os principais adversários. Anquetil tinha língua afiada. Sua sugestão de treino? Alguns uísques, cigarros e mulheres. Anquetil nunca menosprezou Poulidor, mas nunca foram amigos. A década de 60 marcou o retorno das equipes com patrocinadores. Poulidor disputou algumas competições após a retirada de Anquetil, mas viu surgir alguém ainda mais sedento por vitórias.

“O Canibal” abocanha o Tour

Os anos de 1967 e 1968 seriam a grande chance de Poulidor, o “Pou Pou”, mas ele deixou as vitórias escaparem. O Tour de 1967 será sempre lembrado como a edição em que morreu Tom Simpson, na escalada do Mont Ventoux. O melhor ciclista inglês da época sucumbiu por problemas cardíacos, vítima do calor, do esforço excessivo e de anfetaminas. Sua morte impulsionou os primeiros exames anti-doping no Tour de France do ano seguinte. O belga Eddy Merckx, que se tornaria o maior ciclista de todos os tempos, ganhou logo na primeira participação na prova, em 1969. “O Canibal” venceu a competição com mais de 17 minutos de vantagem. Além disso, levou para a casa a camisa verde e o prêmio de melhor escalador. Repetiu a vitória no ano seguinte, com direito a novo prêmio na montanha e oito vitórias de etapa. Ele ainda venceria outras três edições, ratificando no Tour sua hegemonia como o ciclista com maior número de vitórias na carreira.

O último herói francês

Assim como Coppi, Anquetil, Koblet e Merckx, os franceses viram em 1978 um nativo vencer o Tour em sua primeira participação: Bernard Hinault. No ano seguinte, nova vitória, “à moda Merckx”: camisa amarela, camisa verde e sete vitórias de etapa. Mesmo assim, Hinault não era muito bem visto pelos colegas. Em 81 e 82 voltou a vencer. Em 83 surgiu um novo e sofisticado herói: Laurent Fignon, que venceu também em 84, batendo Hinault. Em 1985 Bernard Hinault entrou para a turma dos pentacampeões do Tour, convencendo o americano Greg LeMond a trabalhar para ele. Ele ainda tentou o hexa, mas LeMond, em melhor forma, não permitiu. Com três vitórias (86, 89 e 90), LeMond colocou os EUA na lista dos campeões do Tour.

O domínio espanhol

Os pentacampeões Anquetil e Merckx venceram quatro vezes consecutivas. Hinault venceu quatro em cinco edições. O espanhol Miguel Induráin foi o primeiro a vencer cinco edições seguidas entre 91 e 95. Excepcional contra-relogista, Induráin se defendia muito bem na montanha. Sem demonstrar muitas emoções durante as provas, o espanhol não venceu de primeira, pelo contrário. Após dois abandonos (85 e 86), obteve um 97º, um 47º e um 17º nos anos seguintes, enquanto trabalhava para outro espanhol, Pedro Delgado. Sua vitória no contra-relógio de 89, porém, mostrou todo o potencial que tinha. Seu estilo levou muitos críticos a se aborrecerem com suas vitórias. Mas alguns triunfos, como o de 94, quando bateu Marco Pantani nos Pireneus, e o de 95, quando lançou um ataque vencedor na etapa plana de Liège, demonstraram que tinha muitos recursos. Em 1996, Induráin tentou o hexa. Como homenagem, o Tour passou por Navarra, sua região natal. O espanhol tinha adversários fortes, como o dinamarquês Bjarne Riis. Em uma etapa nos Alpes, Riis atacou várias vezes, dobrou Induráin e venceu Tour. Recebeu a preciosa ajuda de um gregário alemão, o jovem Jan Ullrich, campeão no ano seguinte. A brilhante vitória do italiano Marco Pantani, em 1998, foi ofuscada por um escândalo de doping, o caso Festina. A equipe francesa Festina, que organizou um sistema de dopagem com EPO (eritropioetina) foi excluída do Tour logo no começo, enquanto o pelotão fez várias manifestações até a chegada a Paris.

Um homem vira mito

No ano seguinte, a ética foi a prioridade dos organizadores. Vários controles foram realizados nos atletas. Mas a superação de um ciclista trouxe de volta a esperança. Lance Armstrong iniciou, em 1999, sua caminhada para ser o homem mais vitorioso da história do Tour, depois de vencer o câncer. Com um ritmo de pedaladas inovador nas montanhas e um contra-relógio consistente, dominou a prova por sete anos seguidos. Não conseguiu ser unanimidade entre os especialistas, mas se tornou popular em todo o mundo. O sucesso do norte-americano colocou Jan Ullrich na sombra, com três segundos lugares e um terceiro.

Os brasileiros no Tour

Cinco ciclistas já tiveram o prazer de representar o Brasil no Tour de France. O primeiro foi Renan Ferraro, em 1986. Depois foi a vez de Mauro Ribeiro, em 1991, Wanderley Magalhães, em 1994, Luciano Pagliarini, em 2002 e 2005, e Murilo Fischer, em 2007 e 2008.Mauro Ribeiro foi o único a conseguir vencer uma etapa da competição e o primeiro a completar a prova. No ano passado, Murilo Fischer igualou o feito de Ribeiro ao cruzar a linha de chegada em Paris, e por pouco não conseguiu uma vitória na 11ª etapa, mas acabou em terceiro lugar.